terça-feira, 22 de novembro de 2011

amigos

São aqueles que estão sempre connosco, mesmo que não estejamos com eles por meses. E se lhes ligamos no telefone, parece que ainda há pouco estivemos com eles!

São aqueles que se alegram connosco porque estamos alegres, que nos ouvem quando precisamos de alguém que se disponha a servir de muro das lamentações, mas que ao mesmo tempo, não nos passa as mãos pela cabeça, antes nos faz ouvir o que precisamos de ouvir, por muito duro e difícil que seja.

São os amigos em quem pensamos assim que pensamos em amigos. Ou em quem sabemos que podemos confiar qualquer coisa. QUALQUER coisa mesmo!

São aquelas pessoas que nos dizem: "podes fazer a maior burrice do mundo, a maior merda, que eu vou continuar a gostar de ti, e mesmo dando-te na cabeça, vou ser sempre teu amigo." e "estou sempre cá para ti!"

São imprescindíveis, inesquecíveis e surgem quando e de onde menos se espera. Sim, porque os amigos são aquele tipo de pessoas que estão por toda a parte, que não se distinguem por nenhuma característica física especial, porque o que os torna especiais, não é o aspecto exterior, mas sim o que nos dizem, e o bem que nos fazem sentir!

Fim da batalha! Final da guerra?

Ontem no final de um dia bom, de um dia feliz, ao chegar a casa resolvi, antes de me entregar ao sono, fazer a ronda pelos sites do costume a ver se havia novidades. E havia! Novidades boas! E sentir que está fechado (definitivamente, espero!) um assunto desagradável, que me trazia preocupado foi um outro final de dia bom. Não era o que eu teria preferido, se tivesse hipótese de escolha, mas foi muito bom, ver resolvido mais um assunto pendente. Menos uma coisa que me preocupa! Menos uma coisa com que tenho de entrar em linha de conta quando se trata de fazer planos, de traçar destinos e rotas.

Obrigado a quem me apoiou, a quem me deu força, me orientou, me ajudou em tantos momentos e de tantas formas diferentes!

Hoje amanheci mais leve!

Sei que devia estar feliz, mas na verdade, sinto-me mais aliviado do que feliz. Aliviado por saber que um acto irreflectido da minha parte (que podia ter tido consequências muito graves!) acabou por ser apenas um incómodo. Desagradável, aborrecido, que mexeu comigo. Mas ainda assim apenas um incómodo.

domingo, 20 de novembro de 2011

No meio da ponte (capítulo 9)

"E lá vai ela.
A fazer algo que eu sei que tem de ser feito. A encerrar um capítulo. A fechar uma porta. Tem de ser. É doloroso, mas tem de ser. O que posso fazer? Aguardar. E estar cá quando ela regressar.

Disse-lhe tudo isto e mais. Disse-lhe que não tem de se sentir responsável pelo estado em que fica o caminho que escolheu deixar. Que na verdade, outras pessoas haverão de querer trilhar esse caminho. E que não pode querer percorrer um caminho tendo outro em mente. Muito menos, achar-se responsável pelo que acontecerá ao outro caminho. E não se trata de egoísmo. Trata-se de não ser justo para nenhuma das partes. Nem para ela, nem para ele. Para ele, porque não é justo ser rejeitado e depois ter de lidar amiúde com quem nos rejeitou. É uma questão de amor próprio, de auto-preservação. Para ela, porque se fez a opção, se decidiu, não tem de viver presa a algo que não quer. Mesmo que isso implique passar por ser apelidada de fria, de sem-coração. Ela sabe que não é assim. Eu também!

Ninguém gosta de ser deixado. É verdade. Todos preferimos ser acolhidos e gostados. A questão que se coloca é: até onde vai o sentimento de culpa? Até que ponto deve haver sentimento de culpa, se a questão é ter deixado de haver sentimento de amor? Um substitui o outro? E porquê? Se deixou de haver amor, que sentido faz ficar com outra pessoa? Por hábito? Por pena? Por rotina? Eu não gostaria de ter alguém comigo por ter pena de mim. Por esse alguém me achar fraco demais para reagir ao impacto. Por duro que seja, não é pior viver a vida sabendo que se viveu uma mentira?

Por mim, vou ficar aqui. À espera que ela volte. Pronto a recebê-la num abraço. E preparado para lhe dar o que ela precisar. Porque é assim: quem ama, cuida."

Frases tuas #0

"Somos o 'modelo chave-fechadura'... assim simples!"

E podemos bem ser.
E o que mais nos apetecer.
Que não me faz diferença que haja quem não entenda, e que me julgue sem estar na posse de todos os factos, sem ter estado com a dúvida no coração, sem saber o que na verdade ia cá por dentro e que mesmo assim, se arrogue defensor e praticante da moral e dos bons costumes. Não me importo. Digam o que disserem, nunca saberão o que sinto por ti, Nem como o que sentes por mim é importante, como me fazes feliz todos os dias. O quão determinados estamos em construir alguma coisa de positivo disto tudo. E como temos vindo a vencer batalhas diárias, com passos pequenos mas seguros, que só nos têm aproximado mais e mais.

Tudo natural, sem ser forçado, sem termos procurado o que quer que fosse. E isso só nos torna mais especiais um para o outro. (sim, especiais, a palavra de que tanto gostas!) Tens razão, caímos no colo um do outro. E que bom que é estar ao teu colo, e ter-te no meu. Não simultaneamente, já que há uma impossibilidade física de isso acontecer, mas de irmos, à vez, dando colinho um ao outro. O nosso compromisso mantém-se intacto! Não lhe altero uma vírgula. Apenas poderemos acrescentar adendas, de maneira a completarmos e aperfeiçoarmos o nós que já somos.

Mesmo que isso provoque comichões e levante dúvidas a quem de fora, sem saber o que quer que seja, se ache no direito de apelidar os comportamentos e as atitudes dos outros.

Apeteces-me

Pode parecer coisa superficial, fruto de um desejo momentâneo, de uma ponta de tesão, de uma necessidade urgente de satisfazer vontades, mas sabes bem que não é assim.

Apeteces-me agora, como me apeteces tantas outras vezes. Apeteces-me de dia e apeteces-me de noite. E também ao amanhecer ou ao entardecer. Quando me olhas com esse teu ar maroto, de menina, perfeitamente consciente do efeito que tens em mim. Quando passas e me apalpas o fofo numa fracção de segundo em que não há ninguém por perto ou me dás beijos clandestinos. Ou quando estamos longe e nos permitimos ser o que nos apetece ser sempre: dois apaixonados, dois cúmplices, dois namorados que não desviam os olhos um do outro, que não conseguem parar de planear o próximo "golpe" e que não conseguem tirar as mãos de cima do outro, mesmo quando há umas dezenas de pares de olhos a ver; dois enamorados que encontram amor, refúgio, tranquilidade, paz, energia, força junto um do outro, no tempo e no espaço que partilham.

Apeteces-me. Não me apetece o teu corpo apenas. Apeteces-me toda, de corpo e alma. Apetece-me o carinho e os amassos, o calor dos beijos e o ritmo do nosso amor bem mexido; a simplicidade de um toque e a força de um beijo, o arrepio da pele e o sabor da língua quente e macia; a ternura do olhar e o sussuro da voz, embargada pela emoção que me diz: quero-te!

No meio da ponte (capítulo 8)

"Vou percorrendo os primeiros passos deste caminho, certa de que é por aqui que passa a minha vida. Não estou arrependida de ter escolhido, de ter optado por este caminho.

Porém, detenho-me. Obrigo-me a parar.
Não porque não queira fazer caminho, mas porque por vezes preciso de saber onde tenho os pés, qual o chão que piso. Na verdade, por vezes, desejo correr por este caminho! Pegar na mão e sair a correr e só parar quando estiver bem longe! Mas a verdade é que não tenho motivos porque fugir. Não estou a fazer nada de errado. Não estou a enganar ninguém, nem mesmo a mim própria. E não quero sair desabrida, sem dar conta de tudo o que o caminho tem para me oferecer: as paisagens, as sombras, o vento que sopra meigo e brinca com a minha franja, o luar e as estrelas de uma noite mágica. Preciso de percorrer o caminho com tempo para me ambientar. Para me dar conta de quem sou, do que quero para mim e para nós.

Ainda assim, há laços que me prendem à ponte e ao caminho antigo. Já cortei tantas amarras do peito e ainda me sinto presa. Não quero cortar mais estas porque fazem parte de mim, da minha vida. e se cortar, vou ficar sempre com as pontas atadas em mim, a lembrarem-me que foram cortadas, a manterem-se presentes até se irem desfazendo aos pedaços. Sei que se desatar, embora fique a marca, é mais fácil de apagar, até porque não magoa tanto. Já não aperta. É como a marca do fato de banho no fim do Verão: vai-se esbatendo até se  se diluir na pele.

Vou desatar estes últimos nós. Vou preparar-me para com paciência desapertar o resto dos nós, que fui fazendo ficar laços nas últimas semanas. Para ser mais fácil de desatar. Mas preciso ainda da tua ajuda: preciso que esperes por mim, enquanto vou levar as amarras ao outro lado da ponte. Para que o outro caminho não fique sem nada, sem amparo.

É que eu, tenho-te a ti. Mas ele não tem ninguém. Espero que consiga guardar o que de bom e bonito fizemos no caminho até à ponte. E que seja feliz. Se quiser. Sim, começo a perceber quando me dizes que temos o poder de decidir, a cada momento, se queremos ser felizes ou não! A felicidade dele, não passa por mim. E a minha não passa por ele. Dá-me uns momentos para lhe explicar isso. Eu prometo que volto, meu amor!"

click! #10

Negro como a noite, lindo como o sol!

se a minha profissão não fosse a de professor

Não sei qual seria.
E não sei, porque há coisa de dois anos descobri, ou como está muito na moda dizer-se agora, realizei, que ensinar, dar aulas, leccionar, é o que gosto de fazer. Ao fim de 14 anos, posso dizer que faço o que gosto. E isto significa que me queixo muitas vezes do meu trabalho. E que tenho dias em que chego a casa com vontade de mandar tudo para as urtigas, porque os miúdos não estudam, não querem fazer as tarefas, se recusam a aprender, não vêem sentido na escola, batem-se apenas por dois motivos: por tudo e por nada.

E depois tenho outros dias, mais raros, em que o facto de conseguir conversar com um aluno que seja, que me vem pedir opinião para uma qualquer situação da sua vida, (como se eu percebesse muito da vida, para dar palpites sobre a vida dos outros!) me faz sentir mesmo bem e pensar que é esta a compensação que recebemos. Não é o ordenado (professor contratado há 14 anos, estou no mesmo índice de vencimento de há 14anos. Com uma licenciatura e mestrado concluidos antes de Bolonha, ganho 1100€ líquidos por mês); não é o reconhecimento social, que foi destruído por seis anos de governação socialista que arrasaram com a imagem dos professores ao criarem na opinião pública a ideia que os responsáveis por todo o mal do sistema educativo eramos nós; não é pelas regalias da profissão, porque no meu caso, 14 anos lectivos, 14 escolas diferentes, de Norte a Sul do País, com todos os custos que isso acarreta em transportes (que não públicos porque nem sempre há) alojamento (sem contrato nem recibo porque os senhorios não passam) e alimentação (desenvolvi o vicio de comer e não há quem mo tire!!!).

Se não fosse professor, não sei que profissão escolheria. Mas teria de ser alguma em que sentisse que, tal como sinto na escola, seria capaz de fazer a diferença. De mostrar a alguém que há outro caminho, outro trilho a percorrer, outras maneiras de ver, de sentir, de exprimir o que cá vai dentro e o que vida nos oferece!

Por vezes penso em fazer um outro curso superior, numa outra área de formação diferente. Mas nunca sei por onde hei-de seguir. O que escolher? O que eu gosto mesmo é de ser professor, de ensinar, de conversar com os miúdos e sentir que poderei ser responsável pela mudança na vida de algum deles.

Utópico? Com toda a certeza que sim!
Mas já dizia o poeta, "Pelo sonho é que vamos"!

sábado, 19 de novembro de 2011

da televisão

Por opção, mais ou menos inconsciente deixei de ver televisão em finais do mês de Abril. Na verdade e apesar do charco antigo estar servido de tv com não-sei-quantos-canais, pouca atenção prestava à tv, uma vez que com o horário que tinha e às horas que chegava a casa apetecia-me mais dormir do que ainda ir para a frente da televisão.

As excepções foram dois ou três jogos de futebol e um outro programa. Mas não sei qual a programação actual dos quatro canais generalistas. De maneira que não sinto a falta da "caixa que mudou o mundo" em frente à qual famílias ficam a vegetar às horas das refeições, trocando o diálogo e a partilha pelo olhar fixo no ecrã. Há fenómenos engraçados em que a mesa é posta em função da televisão, ficando lugar vazio na direcção do aparelho.

Não sinto a falta. Não tenho grandes saudades. Talvez de uma série ou outra, mas não tenho saudades. A programação é tão, mas tão má que salvo honrosas excepções a um ou outro filme ou documentário, não dá vontade de ver. O tele-lixo é a regra. E tele-lixo é um expressão simpática para o degredo em que se tornou a programação das televisões com programas da manhã e da tarde que estupidificam as pessoas e que exploram as estórias reais de pessoas que acabam por ser usadas como atracções circenses de um qualquer freak show.

A exploração do homem pelo homem, continua. Expôr as misérias, as doenças, os problemas familiares,o crime, as traições, para alcançar audiências, para ter share é pouco menos degradante do que ser humilhado na praça pública. E a responsabilidade e o bom senso de quem dirige os canais de televisão onde fica?