domingo, 27 de maio de 2012

Pensamentos ao acaso

Não sei bem sobre o que vai ser este escrito. Não tenho nenhum tema definido, pelo que vou deixar que os dedos sirvam de veículo para os pensamentos que me passam pela cabeça.
Estou na cama. Recostado numa almofada enorme. Com os joelhos levantados e s dedos dos pés encolhidos. Tenho testes para fazer. Tenho saudades da lobita. Estou em casa dos meus pais, com as minhas irmãs. Uma levantou-se agora para ir à casa de banho. A outra está na sala a ver tv. E eu aqui, no quarto. Ia escrever no meu quarto, mas já nem sei. Não sei bem onde pertenço. Se aqui, se a outro sítio qualquer. Claro que aqui me é familiar. Mas ainda assim, não sei se posso chamar de meu a um sítio onde passo três noites por mês. Ainda não falei hoje. Mas já fui estender a roupa que trouxe de fim-de-semana e que pus a lavar ontem antes de ir jantar. O dia está bonito. Estou a pensar no que fazer. Sei que tenho MESMO de fazer os testes até porque um deles é já para terça-feira. A semana que vem vai ser dura, em termos de trabalho. Mas vai passar, claro. Devia estar a lavar o carro que está cheio de cagadelas de pássaro. Estou a ficar com vontade de ir buscar uma fruta para comer. Não sei se me apetece almoçar. Devia ir ver uns amigos com quem já não estou desde as férias da Páscoa e os filhos deles. Não estou com vontade de fazer nada. Só de fechar os olhos e deixar o tempo passar até ser hora de ir embora para mais uma temporada de trabalho. Ficar sossegado no meu canto. Sem me mexer. Reduzir tudo ao essencial. Sem desperdícios de energia, de palavras e de gestos. Como se suspendesse tudo. A suster a respiração. Como se o tempo que fica entre deixar e encontrar fosse um momento em que tudo pára, em que se coloca o filme na pausa, se faz o que (não) há para fazer e se retoma. E entretanto acontece vida, mas não se vive. A sério. Só mais ou menos. Só assim-assim.

Mandei uma mensagem à lobita. Respondeu-me. Estou apaixonado por esta mulher. E é tão bom.

Comer

Acabei de chegar a casa vindo de um jantar com um casal amigo. Três meses depois de se terem casado, fui conhecer a casa deles, levar-lhes a prenda de casamento e isso foi pretexto para um jantar. Comi demasiado. Há quatro ou cinco meses teria comido mais. Mas nesta fase, em que tenho andado a fazer um esforço por não comer mais do que o necessário, (não, não estou de dieta forçada e também não passo fome!) facilmente concluo que comi demais.

Na generalidade comemos demais. Todos os dias. O que se reflecte na balança, na pança, na saúde e em última análise na carteira. Não apenas por que comer demais significa gastar dinheiro demais, mas também por que comer demais pode originar problemas de saúde que trazem custos nos consultórios médicos e muitas vezes na farmácia.

Não estou obcecado com o meu peso, até porque estou dentro do intervalo considerado normal para um homem da minha idade com a minha altura. Mas tenho consciência que há coisa de ano e meio, quando pesava quase mais quinze quilos do que actualmente, as coisas não eram assim. E não digo isto apenas pela diferença de peso. Mas era notório o cansaço, a falta de disponibilidade física para qualquer actividade que implicasse mais movimento e força.

Comemos demais. Comemos mal. Eu, pecador me confesso. E admito a minha culpa. E hoje foi uma alarvidade a quantidade de comida que ingeri ao jantar, quando sabia de antemão que a seguir o jantar viria para casa. Precisava de ter andado uma boa meia hora para ajudar  a digestão.

Desde a Páscoa que eu e a lobita temos vindo a adoptar alguns hábitos alimentares mais saudáveis. Insistir na fruta e na água. Diminuir o consumo de alimentos processados, excessivamente doces ou gordurosos (por exemplo, não fazemos fritos em casa desde Fevereiro). Diminuir café. (eu já não tomava, mas a lobita tem vindo a diminuir o consumo!) Refeições mais leves mas mais frequentes. Ingerir mais água. E praticar mais actividade física. O resultado? Eu perdi quase cinco quilos. A lobita já perdeu quase três. Nenhum de nós era gordo. Ou sequer pré-obeso. Mas a diferença vê-se e nota-se.

A verdade é que me sinto melhor agora, com estas alterações na alimentação do que anteriormente. E para além disso, gosto mais do que vejo reflectido no espelho. E isso ajuda a reforçar a auto-estima. Ajuda a sentirmo-nos bem. Antes assim, do que recorrer a drogas ou ao álcool para me sentir melhor comigo mesmo. Ganhar consciência do que sou, do que posso fazer por mim e das formas naturais que tenho ao meu dispôr para ficar mais em harmonia com o meu corpo, com o que sou e com o que me rodeia é uma maneira de me aceitar mais facilmente. De estar mais em paz. E isso faz toda a diferença na forma como encaramos a vida e nos relacionamos com os outros.

Ou então é tudo treta. Conversa de encher chouriços. Banha de cobra.

Cada um escolhe o que quer para construir a sua verdade.

sábado, 26 de maio de 2012

Manuais

Este ano é ano de adopção de manuais escolares para a maior parte das disciplinas (todas?) de sétimo ano de escolaridade. A adopção de manuais é uma daquelas tarefas importantes, mas aborrecidas que não podia vir em pior altura, uma vez que estamos a duas semanas do fim das aulas do nono ano, e três semanas do fim das aulas dos restantes anos, com a respectiva carga de trabalhos que isso comporta: fazer e corrigir testes, preparar a avaliação final dos alunos, reuniões de conselho de turma de avaliação de alunos e como se não bastasse organização de acitividades para o Dia da Esola e para o encerramento do ano lectivo. Em cima de tudo isto, ainda a avaliação e selecção de manuais. Pode parecer coisa simples, mas na verdade, nn disciplina que lecciono tenho pelo menos treze (!) projectos constituidos por manual do aluno, livro do professor, caderno de acitividades, material auxiliar em cd, dvd, pen e na internet sobre o qual me devo pronunciar. Isto seria mais simples, se estivesse numa escola em que não fosse o único professor de Geografia. Mas não estou. De modo que no próximo fim-de-semana terei MESMO de fechar para analisar, avaliar e seleccionar o manual que a escola deverá adoptar.

Poderia falar das pressões que as editoras fazem sobre os professores para escolherem um determinado projecto, mas isso fica para outra altura. Só vos digo isto: não mais darei o meu número de telemóvel a editoras. É que aborrece estar a receber sms a toda a hora e instante. Para mim é uma pressão ilegítima. Eu sei que eles têm de vender os manuais, mas não pode ser assim. Não desta maneira. Também por isso, estou inclinado a escolher um manual de uma editora que tão sómente enviou para a escola o manual para análise. Sem folclores, sem pen's, sem delegados de vendas untuosos e com conversa delico-doce.

Dias assim

Acordar com a luz a entrar pelas frinchas da janela e com o barulho dos pássaros que piam e voam sobre o telhado,. Tudo o resto é calma. Não se ouve o barulho dos carros, nem vozes por casa. Só paz e sossego. Acordar. Procurar por ti. Mas afinal, estou sozinho na cama- Julgando que se está num sítio e afinal está-se noutro, depois de ter dormido bem. Não muito mas o suficiente para sentir aquele cansaço bom ao acordar que nos faz ter vontade de ficar mais um pouco em estado de semivigília enquanto os olhos decidem se querem mesmo abrir-se ou ficar mais um pouco a ver as pálpebras por dentro. Os sons difusos da casa que vai despertando da noite. Rever mentalmente uma lista de tarefas que há a cumprir para a semana que se aproxima. Tentar discernir no meio da névoa que ainda tolda as ideias e do sono que tenho colado aos olhos, qual a ordem pela qual deverei realizar as tarefas identificadas na lista.

Levantar. WC. Decidir ao cimo das escadas, se as desço em direcção à cozinha ou se viro à direita e volto para o aconchego da cama. Desço. Na cozinha arrumo a louça lavado do jantar. E agora? O que comer? Entre um pão torrado com manteiga e leite opto por pegar numa maça, retiro-lhe a casca e as sementes, cortando-a em quartos Descasco uma banana e subo as escadas em direcção ao quarto. Sabe bem a fruta intercalada, uma dentada na maçã (um pouco mais ácida) e uma dentada na banana (um pouco mais doce). Fico bem. Não tenho fome.

E tu? Já acordaste? Envio-te uma mensagem de texto. Não quero correr o risco de te acordar, embora saiba que tens de sair daqui a pouco. Que sim, que estás melhor, que dormiste bem. Vamos trocando mensagens entre nós até que pela demora na resposta te imagino no duche. E como tu gostas de estar no duche, bem quente. É uma imagem bonita, esta que tenho tua no duche. Não mais bonita do que a realidade. Mas isso são contas de outro rosário...

domingo, 20 de maio de 2012

BRIOSA!

E quando nada o fazia prever, a Taça de Portugal volta ao seu primeiro detentor, setenta e três anos depois.A Académica está em festa e com ela, a academia e a cidade de Coimbra. A vitória no jogo da Final da Taça valeu mais do que o caneco, o apuramento directo para a fase de grupos da Liga Europa: para o ano há futebol de nível internacional no Estádio Cidade de Coimbra. E equipa desse nível, haverá?

Pedro Emanuel consegue um título no primeiro ano como treinador principal. O mesmo conseguiu Vitor Pereira, no FC Porto. Os adjuntos de André Villas Boas (que também treinou a Briosa)  ganharam um título cada um.

Hoje é dia de celebrar o feito agora alcançado! parabéns Briosa!


Bola

Não sou doente por futebol. Não faço quilómetros para ir assistir a um jogo de futebol, nem estou horas colado em frente a um ecrã para assistir à transmissão de um desafio. Dito isto, estou a pensar ir procurar um sítio onde ver a Final da Taça de Portugal entre o Sporting e a Académica. Por simpatia ao clube da minha cidade e da minha universidade. Pelas tardes em que ao velho estádio do Calhabé com o meu pai assistir aos jogos da Briosa. Porque, finalmente! tantos anos depois voltamos ao Jamor. Porque depois de uma época de altos e baixos, na recta final demos um pontapé na crise fechando o campeonato com duas vitórias sofridas que garantiram a manutenção na Primeira Liga. E de forma algo estranha o apuramento para a pré-eliminatória da Liga Europa.

A Associação Académica de Coimbra é, depois dos chamados três grandes, o clube português que mais simpatia gera nas pessoas. Hoje partiram de Coimbra várias dezenas de autocarros com adeptos em direção ao Estádio Nacional. Seja qual o resultado, Pedro Emanuel fica na história da Briosa pelo ida à Final da Taça e pelo apuramento para as competições europeias. Bem vistas as coisas nem foi uma época assim tão má!



Do ter amor por coisas

Há coisas que algumas pessoas dizem, escrevem e afirmam que mexem comigo... Não me incomodam, não me revoltam nem me fazem ter atitudes, pensamentos ou o que quer que seja contra essas pessoas. Como já disse sou muito adepto do vive e deixa viver.

Ainda assim, não consigo evitar um pensamento de tristeza e simultaneamente de inquietação quando leio ou ouço alguém dizer: "amo isto ou aquilo", sendo que o isto ou aquilo pode ser substituído por qualquer tipo de coisa, ou objecto que se adquire numa qualquer loja seja de roupa de sapatos, de jóias, telemóveis e/ou afins.

"Amar" uns sapatos, uma camisa, um casavco ou um par de calças revela tanto (ou tão pouco) de quem o declara... Não que acredite que alguém possa amar esse tipo de objectos, mas a frequência com que se ouve dizer ou com que se lê este tipo de declarações (de amor?) dá que pensar. Tenho objectos de que gosto particularmente. Mas por nenhum tenho amor. Se fosse privado de alguns deles, não iria morrer (muito menos de desgosto amoroso!). Banaliza-se o amor. Ama-se a posse e o conforto ilusório que a posse de determinados objectos confere. Ama-se possuir coisas. Ama-se o ter. Desvaloriza-se o ser. Por dentro. E o que os outros são. A bitola que usamos para avaliar os outros, começa muitas vezes pelo que os outros têm. Pela profissão e pelo ordenado que essa profissão lhe permite auferir. Pela casa ou apartamento que têm. Pelo quanto gastam nas férias. Pelas marcas das roupas que usam a tapar o corpo.

Hoje as pessoas que contam, na sociedade mediatizada em que vivemos, são as que têm. Muito de preferência. As que são muito, não passam de notícias de rodapé nos telejornais. Não contam. Estão ofuscadas pelas plumas e lantejoulas.

Estou a pensar no tipo de valores que se promovem na sociedade. Que atitudes estamos a incutir nas pessoas que convivem connosco. Nos valores que estamos a dar, através do nosso exemplo. Estou agora a pensar que no post anterior falei do concerto dos Coldplay e que posso ser julgado pelo que escrevi. Sim. Gostei do concerto. Sim, gastei dinheiro para ir ver um grupo de música de que gosto muito e há muito tempo. Mas não declaro amor pelo grupo ou pela sua música. Espero manter-me lúcido o suficiente para gostar de coisas, de objectos, de música, de concertos, de umas calças ou t-shirt e guardar o amor para a família, para os amigos, para a lobita, (a ordem é aleatória) para as pessoas, em vez de o canalizar para as coisas.

Não que acredite (recuso-me a acreditar!) que há pessoas que amam as coisas e que gostam de pessoas. Apenas porque as coisas não me devolvem o quanto eu possa gostar delas e as pessoas (sim, muio poucas, eu sei!) devolvem o quanto as amo. E são essas que se tornam verdadeiramente essenciais para me ajudar a crescer e atingir o objectivo de ser mais e melhor.

sábado, 19 de maio de 2012

Yellow

Não sou fã de agora. Desde o hit "yellow", que sigo com alguma atenção o percurso deste grupo de quatro rapazes de Londres. Comprei o primeiro álbum deles, por causa desta música Foi uma compra por impulso. Andava na worten a ver as novidades da música e achei piada à capa do cd. Quando ainda ninguém falava em Coldplay, dei o disco a ouvir a alguns amigos. Fiquei vidrado no disco. Andou comigo no carro tantos meses, que hoje está todo riscado e há faixas que nem se conseguem ouvir. Fui ficando atento ao que de novo aparecia deles. Tenho os cd's originais de todos os álbuns e algumas relíquias que consegui encontrar espalhadas pela net.

Ontem fui vê-los ao vivo no Estádio do Dragão, no Porto. Choveu no início do concerto. Depois a chuva parou e ficou só a música. Espectacular é o que posso dizer da performance. A interacção com o público, o som que esteve fantástico, o palco, os efeitos cénicos, os ecrãs gigantes, as cores e a luz, as pulseiras que emitiam cores durante algumas músicas e um público rendido a estes senhores que, continuo convicto, são uma grande banda. Acabei por gostar muito mais deste concerto do que aquele que vi o ano passado no Optimus Alive. A companhia também ajudou. Muito! Não foi, lobita? ;)

Sem querer entrar em comparações, Coldplay estão para mim, num patamar semelhante a uns U2. Ainda não em termos de palco (o espectáculo 360º dos U2 foi grandioso!) mas em termos de música cantada e tocada. Tudo simples e tudo extremamente eficaz. E tal como os U2, estes senhores não sabem fazer música má. Gostei de cada minuto, dos noventa e sete que estiveram em palco. Valeu muito a pena!



quarta-feira, 16 de maio de 2012

Ir

Ontem, depois de ouvir e ler as notícias que dão conta do encerramento compulsivo dos Centros Novas Oportunidades das escolas públicas, senti um ligeiro arrepio na espinha. Não que goste do modo de funcionamento desses centros, criados com boas intenções (quero acreditar que sim!), mas que em 90% dos casos, resultaram em fraudes completas ao nível de reconhecimento de competências que a esmagadora maioria dos formandos não tinham, não têm e contudo são detentores de papéis que dizem precisamente o contrário. Medo!

O arrepio que senti deve-se ao elevado número de pessoas que  trabalham nesses centros, desde professores, técnicos de encaminhamento, técnicos de reconhecimento e validação, técnicos administrativos e que de uma penada, ficam sem trabalho.

Não é fácil lidar com o desemprego. Ao contrário do primeiro ministro, não acho o desemprego uma oportunidade. Mas também não penso que seja uma fatalidade. A verdade é que há empregos disponíveis. Sim, mal pagos. Para os quais se tem qualificações a mais, mas que garantem emprego. E ganhar pouco é melhor que não ganhar de todo. Criar o próprio posto de trabalho também é uma possibilidade. Mais difícil, mas se calhar alguns de nós têm o secreto desejo de poder fazer uma determinada actividade a tempo inteiro. E isso não é de todo descabido, quando de repente, nos vemos com muito tempo livre nas mãos.

Investir em nós, na nossa formação é sempre positivo. Voltar a estudar é por isso uma possibilidade que se apresenta, pelo menos, para quem tem direito a subsídio de desemprego!.

Emigrar é outra possibilidade. Já que fomos aconselhados a emigrar, já que é uma ideia recorrente há já alguns anos, porque não? Deixar o medo para trás e partir? Tenho dois braços e duas pernas, alguma coisa dentro da cabeça e o trabalho não me assusta. Pelo menos posso tentar, certo?

Ontem a lobita surpreendeu-me ao dizer que tinha ficado a pensar em emigrar. Vamos?