sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dão-se abraços. Trata o próprio.

É impressão minha ou grassa pela blogosfera uma carência generalizada por carinho, abraços, mimo, festinhas, beijos e comportamentos fofinhos e queridos, cheios de ternura e de mel?

É preocupante que ande tanta gente a suspirar pelos cantos com vontade de ser abraçado e até de ter alguém que aqueça o coração (e os pés?!), e que encha de carinhos antes de dormir. E digo preocupante porque se nota que as pessoas estão um pouco mais carentes, mais precisadas de se sentirem queridas pelo outro. Ainda que o outro não tenha rosto, cheiro ou olhar definido.

Tenho lido em alguns blogs que visito, que mais do sexo, o que procuram é aquele carinho antes de dormir, o abraço que conforta e aquece. O sorriso cúmplice. A palavra de ânimo que dá alento para o dia seguinte. O 'gosto de ti' que põe um sorriso na cara e eleva o espírito. O contacto da mão na mão, pele com pele. O arrepio de prazer por se sentir gostado e desejado. As borboletas na barriga e o tremelique involuntário das pernas. O gaguejar e sentir a língua presa. O riso de nervoso miudinho. As palavras que se atropelam e fazem fazer figuras de urso. O não saber onde pôr as mãos, quando as mãos sabem muito bem onde querem repousar. O sorriso apalermado porque não se consegue controlar os músculos faciais. O suor da palma das mãos. O doce abandono do corpo e do espírito. Uma noite descansada porque se sente segurança, tranquilidade e paz. E a companhia de alguém à distância de um (a)braço.

Parece-me que há muito medo de muita gente em se deixar cativar e eventualmente apaixonar.
Já todos tivemos o coração partido. E já todos fomos felizes. E se assim é, teríamos dado valor ao coração partido se não tivéssemos sido felizes, e vice-versa?
Amarrarmo-nos a alguém traz sempre o risco de um dia as cordas ficarem laças e caírem ou de alguém desatar os nós. (há ainda o outro risco: o de alguém cortar a corda com um só golpe.)

Anda tanta gente a fugir de ficar com o coração partido, que se esquecem que ao evitarem um possível desgosto, estão a evitar um provável amor. Mesmo que temporário.

(A partir de hoje, aceitam-se encomendas de abraços.
Sem compromisso. E sem prazo de validade. Não se estragam. Data e local de entrega a combinar.)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

click! #1

sem legenda.

dava jeito

Dá jeito que as coisas continuem a correr bem, e se não for pedir muito, dava jeito que corressem um pouquinho melhor.

Dá jeito que a calma e a serenidade sejam o estado de espírito dominante e que a agitação interior passe. Rápido!

Dá jeito que este país encontre um rumo e que a situação possa melhorar. Embora saiba, que antes de melhorar, vai piorar. Porque ainda não batemos no fundo. Mas também já não falta muito.

Dá jeito que o povo abra os olhos e os ouvidos e pegue nas armas da coragem e do desassossego e se levante para reclamar o que é seu por direito e de que tem vindo a ser espoliado nas últimas décadas.

Dá jeito que o tempo passe e que com a sua passagem vá erodindo as recordações menos boas e as leve consigo de caminho. Dá jeito que os amigos se mantenham por perto, ainda que fisicamente longe e que com coisas simples, nos façam sentir bem, presentes e vivos
.
Dá jeito que a vida dê voltas e mais voltas e nos traga a capacidade de sermos surpreendidos e a capacidade de nos deixarmos deslumbrar, de queixo caído e olhar vidrado ao contemplar a beleza de tudo o que há à volta e que, tantas vezes!, nos esquecemos de ver. Quando nos permitimos deixar entrar o sol, o calor e a brisa que sopra fresca, que nos revolve o coração por dentro e areja a alma, dá jeito que não percamos o pé. Que haja um qualquer anjo da guarda nos vigie e auxilie nessa operação de limpeza de mofos e de bafios.

Dá jeito viver o mais e o melhor que se puder.
Esta vida é demasiado curta para se viver a sofrer. Além disso, não vale a pena levar as coisas que nos acontecem demasiadamente a sério. Não saímos daqui vivos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

telefonemas, sms e emails

Agora dava-me jeito poder falar com alguém. Alguém a quem não tivesse de contar tudo, porque esse alguém já estaria a par de tudo. Portanto, o que lhe teria a contar seria facilmente assimilado no resto da história que já estaria partilhada. E assim, esse alguém, ao invés de ficar com uma visão parcial das coisas, que seriam mais fácil de pintar com as cores que me fossem mais convenientes, esse alguém colocar-me-ia no meu lugar e mostrar-me-ia os factos, tal e qual como são.

Dava-me jeito poder esquecer e remendar os buracos e os estragos que tenho na alma e no coração. E quem sabe, conseguir remendar e tapar outros buracos que fui fazendo noutro(s) coração(ões). Ou pelo menos fazer, definitivamente! as pazes comigo. Eu sei que tem de levar tempo. Eu sei que não é coisa simples, do tipo carregar num botão e puff! tudo resolvido. Eu sei que as respostas e que a solução estão em mim. Não é novidade. Dava jeito um qualquer tipo de guia, ajuda, orientação, um apoio para ir seguindo caminho.

Ser um sapo por fora e um homem por dentro traz algumas limitações. Um sapo que sente, que se alegra e se entristece. Que ri e que chora. Que se emociona e que está a aprender ainda agora a estar sozinho e a ter de se bastar sem o tal de alguém de que falava ainda há pouco.

Ainda assim, mesmo sabendo que consigo ir lidando com o que cá vai por dentro, seria mais fácil falar directamente com alguém, em vez de ter de escrever aqui. Não que seja mau. Não que seja errado. Mas há coisas que não escrevo nem aqui nem em lado nenhum, mas que posso dizer oralmente a algumas (pouquinhas!) pessoas.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

conforto

Cama quente numa noite fria e chuvosa. Água fresca de uma fonte, pronta a saciar a sede de quem põe a mão e concha e dela bebe. Prato de sopa quente. Duche de água quente com  muita pressão a tirar o suor o pó e o cansaço. Vestir um pijama lavado depois do duche. Ter os pés frios e calçar um par de meias. O aconchego de uma lareira numa casa fria. Ouvir aquela música numa das muitas viagens longas. Ver as distâncias diminuírem e sentir o coração alegrar-se com o aproximar do destino. Estar com amigos que não questionam quem somos. Ouvir a voz que nos embala a alma. Sentir o perfume de quem não está presente, mas que regressa a cada momento que se respira o ar contaminado por essa fragrância que desperta memórias. Uma noite descansada. Recordar. Sentir-te por perto. Receber a boa notícia por que tanto se esperava. Reencontros há muito (in)esperados. SMS's em alta rotação. Abraços apertados. Lágrimas de alegria. Sorrisos de alegria. Relaxe muscular profundo. Perderes-te nos braços de quem é importante. Sol na cara. Boa companhia...

Ver o sol mais uma vez. Mesmo que seja a última

Caminhos

Caminhos? Existem muitos e variados. Tantos quantas as pessoas e as suas ideias.
Mais fáceis e mais difíceis. Mais rectos (não vou escrever retos!) ou mais curvilíneos. Com muitos altos e baixos ou mais planos. Pelo meio da floresta ou por entre um campo de milho. Uma autoestrada com 3 vias em cada sentido ou um trilho pedregoso e irregular. Um passeio no parque ou uma travessia do deserto. Bem sinalizado, mal sinalizado ou sem sinais. Iluminado à noite ou negro como o carvão mesmo em plena luz do dia. Feito a pé, com bolhas e cansaços ou sentado confortavelmente no banco de trás enquanto alguém conduz e faz o caminho por nós.



Qual o melhor caminho?
Depende. Há alturas em que temos mesmo de meter os pés ao caminho e começar a bulir. Outras em que é mais avisado parar para tomar fôlego. Descansar um pouco do sol e beber água. Sentar à sombra e apreciar o caminho, por aquilo que já nos deu, e pelo que ainda nos poderá trazer já ali, depois da curva.
O caminho mais fácil é o da preguiça? Não me parece. Há uns tempos em conversa com uma pessoa comentava-se que o que é fácil não tem piada. Não dá luta, não tem sabor. Passa depressa e depressa se esquece. Mas palavras leva-as o vento. Ou como diz um amigo meu 'pimenta no cú dos outros, p'ra mim é refresco'. Estou quase em crer que o caminho mais fácil é o do conformismo. Daquele que mesmo sabendo que não estão bem, e que deveriam fazer alguma coisa para alterar o estado de coisas, se preferem convencer que até estão bem e que não precisam de alterar nada, nem de modificar algo que lhes diga respeito.

O meu caminho leva-me onde? Para onde estou a ir? O que espero obter ao percorrer este caminho? Agrada-me o que estou a fazer? É por aqui que quero ir? Porque não experimentar aquela vereda ali? Ou aproveitar a sombra, descalçar o que se traz nos pés e meter os pés na água do ribeiro? Ou ser ainda mais audaz e dar um mergulho na água do rio?

Para onde me leva o caminho? Não sei. Sei para onde não quero ir. E por isso, aqui e ali, tenho de parar para me perguntar se o que quero é mesmo o que vejo lá adiante no caminho. Para onde me leva o caminho? Não sei. Mas sei que o destino é o menos importante. O importante é percorrer o caminho e ir experimentando o que ele tem para nos oferecer. Não é urgente chegar. O que é preciso é viver.
Uma coisa:: a maior viagem do mundo começa com um simples passo.

Ah! Só mais uma coisa:
Faz-se caminho, andando!
Põe-te a mexer!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

domingo, 25 de setembro de 2011

FDS

Fim-de-semana.
Regresso ao charco original. Nada de confusões: o outro de onde normalmente vos escrevo, não é falso. Apenas se trata de um sucedâneo devido a motivos profissionais. Aqui sempre foi, é e será também a  minha casa. Aquela onde cresci e onde trazia os meus amigos e onde juntamenta com as minhas irmãs, irmão e pais vivi a maior parte da vida.
Fui um girino feliz sem saber!

Acabei de chegar a casa de estar com amigos. Não são os amigos de todas as horas. Mas são os amigos de muitas horas, com quem partilho laços que não quero desfazer nem deixar cair em esquecimento. Já lá vão dois anos que trabalhámos juntos, e se nos continuamos a encontrar com regularidade é porque não fomos apenas colegas, certo? Certo!

Comida, bebida, companheirismo, risos, comentários, brincadeiras, mais risos e já temos data marcada para o próximo encontro, desta vez lá para as bandas do charco novo. :)

Um amigo resolveu emigrar. Para outro continente. Para outra realidade, porque a de cá, para além de não lhe agradar, lhe parece que vai ainda piorar mais. Prefere dar o salto já. Infelizmente, sou levado a pensar que ele tem razão. Que a situação que o nosso país atravessa vai piorar ainda mais. Quando parece que já nada pode ser pior, desconfio que nos vai suceder o mesmo que está a acontecer à Grécia: a menos que sejam tomadas medidas políticas pelas cabeças pensantes (quero acreditar que pensam!) que nos governam na UE,  a fim de resolver este imbróglio da crise da dívida, também nós corremos o sério risco de entrar em incumprimento. E depois em falência.
Gostava de conseguir ser positivo em relação à situação que atravessamos, mas acho difícil que as coisas se resolvam a contento. Emigrar é uma ideia recorrente. Destino preferencial existe. Vontade também. E medo de não conseguir vingar por lá. E não saber o que lá iria fazer. E não saber se existe vaga para um sapo feio e verde que já devia estar a dormir.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Coisas de que gosto

Mãos. Olhos. Pés. Flores. Tirar fotografias. Abraços. Papelarias. Lápis de cor novos a espreitar da caixa. Beijos roubados. Riso das crianças. Gatos ao sol. Areia entre os dedos dos pés. Cheiro da relva acabada de cortar. Nascer do Sol. Nuvens. A marca das gotas de chuva na areia da praia. Perceber nos olhos dos outros que gostam de mim. Toque da pele. Conduzir. Andar a pé. Ajudar. Deitar numa cama feita de lavado. Ver o céu estrelado. Adormecer ao relento. Chocolate a derreter na boca. Dormir em concha. Escrever (não que ache que o faça bem, mas porque o tenho feito muito ultimamente). Emocionar-me. Adormecer um bebé ou uma criança pequena ao colo. Brincar. Rir. Sentar-me na banheira ou no duche e ficar a sentir a água do chuveiro a bater nas costas e na cabeça. Puzzles. Música. Batatas fritas. Cantar. Adormecer feliz. De ti. Descobrir sítios bonitos. Sentir-me pequenino no meio de uma montanha. Trovoadas. Vento na cara. Passear. Chá de erva príncipe ou limonete. Bolo (qualquer um. marcha tudo). Estradas panorâmicas cheias de curvas. Apreciar as vistas. Subir montes e descer vales. Quebrar a rotina. Cozinhar. Ler. Varrer (acalma-me, não sei porquê!). Visitar casas em construção. Casas velhas e imaginar reconstruí-las. Andar de bicicleta. Estar com amigos. MacDonald's. Sentar-me no chão. Surpresas. Sentir o peso da roupa na cama. Cheiro do chão de madeira encerado. Levantar, ver que está a chover e poder voltar para a cama. Conversar. Conhecer pessoas. Ir sem destino. Sonhar acordado. Sentir o sol a aquecer a pele. Nevoeiro. Portas e Janelas. Paredes ou muros de pedra. Luz indirecta. Ecos. Sentir-me vivo.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Eu sou

Único e irrepetível.
Não há ninguém como eu.
Tenho em mim, todas as qualidades e defeitos que sou capaz de identificar nos outros. Identifico-as porque os outros são um reflexo de mim. São projecções minhas do que eu sou para eles. Claro que os reflexos não são perfeitos, porque o espelho que os outros são de mim, reflecte, aspectos de mim que saem exagerados. Há pessoas que exageram os defeitos ao ponto de nada de positivo conseguirem encontrar. E há as outras, as que à força de quererem ver os aspectos positivos de uma personalidade (forte, estranha, esquisita, tudo isto e nada ao mesmo tempo?), exageram as qualidades e sofrem grandes desilusões uma vez que colocaram a fasquia demasiado alta, não cuidando de manterem presente que sou humano e que devido a essa condição cometo erros e falhas.
Já aqui disse que sou perfeito, com todos os defeitos que são os meus.

Sou o que sou, porque cada um é o que é. Não acredito que as pessoas mudem. Acredito na mudança forçada por um acontecimento forte, que nos leve a repensar a estrutura da nossa vida, a reordenar as prioridades, a questionar o percurso feito, e acima de tudo, o rumo a seguir.
Mas em mudanças radicais, não acredito. Pequenos acertos de procedimentos para com os outros, criação de hábitos, adaptação e cedência aceito que ocorram, na medida em que os fazemos para podermos usufruir e beneficiar da presença de outros que são significantes para nós. No fundo, fazêmo-lo por egoísmo, para não perdermos aqueles de quem gostamos.

Luz, sombra e reflexo: tudo o que sou.
Negar aquilo que sou não é caminho. Anular-me em função de outros é coisa que não pretendo voltar a fazer. Não há amor que resista à falta de amor próprio. Tenho tido discussões acesas com algumas pessoas que me acusam de egoísmo. Mas a verdade, (a minha verdade parcial e enviesada), é que se não somos nós mesmos com aqueles que escolhemos para nos acompanhar, mais cedo ou mais tarde acordamos sozinhos e vemos que o caminho que deveria ter sido percorrido a par, se dividiu algures lá atrás e que muitas vezes caminhamos lado a lado com alguém, mas já não somos nós que ali estamos. É apenas uma sombra do que outrora fomos. E que estamos a seguir um caminho que não é nosso.
E eu quero seguir o meu caminho. Sozinho ou acompanhado. Porque há etapas em que estamos isolados (seja na liderança do pelotão seja no lugar do lanterna vermelha, a tentar fugir ao carro-vassoura) e outras em que vamos confortavelmente no meio do pelotão, mais interessados em aproveitar a viagem do que em chegar ao final.

Agora quero apreciar o caminho. Não tenho pressa de chegar. Não conheço o destino, por isso prefiro ir vendo a paisagem, ir conhecendo pessoas e lugares, fazendo desvios para ver paisagens deslumbrantes, parando para cumprimentar pessoas interessantes e passar tempo com elas.
Onde há pessoas há abraços. E o teu abraço será certamente um motivo para ficar.

Quem és tu?

Apetece-me tanto dizer-te tanta coisa.

Repleta de cor. Tudo o mais é negrume. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

dúvidas, perguntas, questões, inquietações, problemas existenciais?

Muitas vezes, aqui o sapo, utiliza esta forma para questionar os seus alunos relativamente aos conteúdos que foram acabados de dar. Não funciona grande coisa: invariavelmente os garotos não apresentam dúvidas o que me deixa sempre a mim! com a eterna dúvida: será que fui tão claro, que todos entenderam tudo (muito pouco provável!) ou não consegui que eles entendessem nadinha mas como já estão fartos de me ouvir e dizem que sim, a ver se me despacho? (muito mais provável!)

Na verdade, sempre tive a esperança de que um(a) qualquer aluno(a) começasse a divagar sobre um qualquer tema como deus, o sentido da vida, a busca do caminho da felicidade, o conflito israelo-palestiniano, a crise do Euro, a troika, as probabilidades de nos sair o EuroMilhões ou a variação relativa do tempo dependendo do lado da porta da casa de banho em que nos encontramos.
Nestes anos todos, nunca me aconteceu.

É pena. Tenho algumas teorias que de tão rebuscadas, conseguiriam arrancar aplausos até ao académico mais experimentado. Aplausos!... de quando alguém se levantasse e me desse uma esquerda que me projectasse os dentes para o chão (o que me obrigaria a levá-los para casa no bolso de trás das calças.)

Enquanto esse dia não chega, cá vou vendendo a minha banha de cobra, produto apenas ao nível daqueles cremes de baba de caracol, pentes para carecas (no comments on that!), frigoríficos para esquimós e demais artigos TVShop.

Na minha cabeça passam-se coisas extraordinárias! Que na maior parte das vezes resultam em nada.
É assim, tipo, as medidas de combate à crise. Desde 2009 que andamos a apertar o cinto, e o mais certo é irmos todos ao charco não tarda muito. Valerá a pena o sacrifício?
Lá diz o poeta: tudo vale a pena se a dívida não é pequena!

Tomei a liberdade de adaptar a máxima imortal aos tempos que vivemos. Chamemos-lhe um update conjuntural, vá! :)

Qual é a coisa qual é ela,

...a que me apetece dar um par de asas, tal é a vontade de o ver a voar?
Aceitam-se apostas!


pista #1: é preto, tem uma risca vermelha,  e faz tudo menos aquela coisa para a qual foi inicialmente concebido.
pista #2: falei dele aqui ontem...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

notícias

  • O meu telemóvel está com uma crise de identidade. 

Faz tudo menos o que é suposto: fazer e receber chamadas. Assim que que pressiono para atender a chamada, ou para iniciar a ligação desliga-se. Estive quase para lhe dar um verdadeiro motivo para não funcionar como deve ser, mas consegui conter-me e em vez de o atirar contra a parede, permiti-me pronunciar algumas palavras em vernáculo. Daquelas que fazem parte do dicionário português do palavrão, calão e injúria. Resolveu o problema do telefone? Não! Mas aliviou um bocadinho!


  • Resolvi um assunto problemático no trabalho.

Eu e a minha grande boca associados a uma paragem mental, criámos um quid pro quo lá na escola. Ontem quando dei conta do que tinha feito fiquei a bater mal. Valeu a intervenção de uma amiga para me ajudar a perceber a gravidade da situação e me incentivar a resolver o assunto. E assim fiz! Done! Finito!

  • Voltei a ir à piscina

E isto sim é novidade! Depois de uma semana de inactividade quase total, voltei a ir à piscina. Soube-me bem e doem-me um bocadinho as pernas, sinal de que fiz esforço! E isso é bom!

E por hoje é tudo, as notícias ficam por aqui. Até amanhã!


Já disse que o /&%$#"&(/"")(%$%#$# do telemóvel não recebe nem faz chamadas? 
O que vale é que ultimamente é mais sms!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

do passado

Curioso ver que, à distância, os factos ocorridos ganham outras cores e outros cheiros. Provocam outro tipo de sensações. Despertam memórias, que estando adormecidas, se levantam da bruma e enquanto esfregam os olhos e se espreguiçam, nos assaltam com pormenores que até aí não havíamos lembrado. Os últimos dois meses e meio foram de uma produção anormal de texto. O que se enquadra bem dentro da personagem que agora encarno, este sapo verde e feio que vos escreve. Serve de catarse. De exercício de  ajuste de contas com o passado e de construção de esperança para o futuro. O presente, é para ser vivido. Não para ser pensado.

Sim, eu sei. Eu sei que as escolhas que faço hoje vão ter consequências no futuro, esteja ele mais ou menos longínquo. Mas se perco o tempo a ponderar cada escolha, acabo por me perder no tempo e, na eventualidade de chegar a uma conclusão, corro o risco de ser demasiado tarde e de a oportunidade que se ofereceu já ter passado. Eu sei que gosto de correr riscos, mas apenas aqueles em que a probabilidade de ser bem sucedido, ainda que seja temporariamente, constitui um benefício maior do que o eventual dano que daí possa advir. Não tenho tendências suicidas e não gosto de sofrer nem de fazer sofrer.

Por ter vivido e sentido na pele algumas situações desagradáveis no passado estou a tentar aplicar a teoria que fui aprendendo mas que não passei à prática. Refrear o entusiasmo e manter-me calmo (difícil p'ra caramba!). Dar tempo e espaço. Não sufocar. Dar na medida que se recebe. Deixar que a iniciativa seja partilhada. Fazer sentir que se gosta, e que se está presente, mas que não se está dependente.
Aplicar estas coisas que parecem simples e lógicas e que me levaram tanto tempo a perceber, não é nem vai ser fácil, porque há em mim um historial de me lançar sem rede e sem pára-quedas. Desta vez estou a tentar que seja diferente.

É que parecendo que não, magoa! :)


Eu sei que vais ler isto. 
E que talvez me chames tonto. 
Mas assim como assim, já começo a ficar habituado. 
E gosto, como sabes.

Bom dia! (ou será boa tarde?)



Acorda, menina linda 
Vem oferecer 
O teu sorriso ao dia
Que acabou de nascer 
Anda ver que lindo presente 
A aurora trouxe para te prendar 
Uma coroa de brilhantes para iluminar 
O teu cabelo revolto como o mar


Acorda, menina linda 
Anda brincar 
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar 
Acorda, menina linda 
Vem oferecer 
O teu sorriso ao dia 
Que acabou de nascer


Porque terras de sonho andaste 
Que Mundo te recebeu 
Que monstro te meteu medo 
Que anjo te protegeu 
Quem foi o menino que o teu coração prendeu ?


Acorda, menina linda 
Anda brincar 
Que o Sol está lá fora à espera de te ouvir cantar 
Acorda, menina linda 
Vem oferecer 
O teu sorriso ao dia 
Que acabou de nascer


Anda a ver o gato vadio 
À caça do pássaro cantor 
Vem respirar o perfume 
Das amendoeiras em flor 
Salta da cama 
Anda viver, meu amor


Acorda, menina linda 
Vem oferecer 
O teu sorriso ao dia 
Que acabou de nascer

sábado, 17 de setembro de 2011

Fechado para remodelações

Há quem tenha muito a dizer de mim e quem prefira fazer de conta que não me conhece, que não existo, que nunca existi e que não passo de um dos muitos grãos de poeira que vamos acumulando ao longo das nossas vidas. Na verdade, de há uns tempos a esta parte que estou a tentar consolidar e aplicar uma decisão tomada: a de que iria fazer mais por mim. De que iria tentar ser mais e melhor. Não para agradar a alguém, mas para me agradar. Não porque ache que o deva aos outros, mas porque o devo a mim mesmo.

Este período da minha vida, que estou a iniciar, é um recomeço. Uma oportunidade de crescer por dentro. de renovação interior. Uma espécie de "querido, mudei a casa" mas em versão light, já que não vou mudar a estrutura que sou. Apenas remodelar algumas partes de mim. Deitar fora o que está bafiento, restos de momentos vividos com pessoas que foram, mas que já não são, importantes. As mesmas recordações que me atam e me prendem, me tolhem os movimentos e me impedem de seguir em frente.


Move on! Circulando! Não há nada para ver. E é mesmo assim!

Tenho a cabeça em limpezas e arrumações.
Estou a pintar uns cantos mais sombrios de cores claras para que seja mais difícil às sombras instalarem-se por lá. Estou a encontrar em caixotes fechados pedaços de mim, que retirei da exposição porque alguém me foi dizendo que era feio mostrar esses aspectos do que era (serei ainda?) Nas prateleiras estão a começar a ficar alinhadas as recordações do que realmente conta: família, amigos, momentos marcantes, música, fotografia, criatividade, lanzeira. Com espaço extra para receber as novas recordações. Aquelas que ainda estão para vir. E que se desejam felizes.
Tenho as montras tapadas com jornais, para que não se veja o que se está a mudar. Ainda assim, há um ou outro par de olhos que tenta espreitar para ver o que se passa. Mas a confusão é grande e desistem. Nesta fase, quem quiser entrar tem de ir pela porta dos fundos. O que não é necessariamente mau. Pelo menos fica a conhecer os cantos à casa: desde os espaços mais recônditos, os corredores pouco iluminados, as salas que servem de armazém, o escritório, até à glória de atingir a loja propriamente dita!
E mesmo que demore algum tempo, isso só permite que me possas ajudar a tirar os jornais das montras, limpar os vidros e pôr um letreiro colado na porta onde se pode ler:

REABERTO COM NOVA GERÊNCIA


Depois? 
Depois vamos para trás do balcão atender o nosso primeiro freguês.
Quando chegarmos ao fim do dia, fazemos contas: vemos a diferença entre o deve e o haver e tiramos conclusões sobre o investimento feito.
Há risco, claro! Mas o que é a vida sem risco?

Ainda há esperança!

Hoje quando estava na sala de estudo, apareceu por lá uma garotinha de uns 10/11 anos, a olhar para tudo que existe na sala com um ar de deslumbramento. Fixou os olhos numa Carta Geológica de Portugal que estava pendurada no quadro e perguntou onde ficava a terrinha onde aqui o sapo tem o seu charco. O sapo tirou o mapa da parede, colocou-o em cima da mesa e indicou-lhe o local. Depois perguntou onde era Lisboa. Ajudei-a a procurar e de olhos arregalados disse que era muito longe!  Fui buscar um outro mapa porque me perguntou onde era França. Abri o mapa da Europa e ela ficou muito surpreendida, por neste mapa Portugal ser tão mais pequeno. Procurei um Planisfério mas não havia nenhum na sala. Entretanto, perguntou o que significava um x que estava marcado na Carta Geológica: disse-lhe que os mapas têm legendas que ensinam a perceber os símbolos e as cores. Procurou o quadradinho da legenda que correspondia ao símbolo pretendido. E encontrou!
Depois circulou pela sala a perguntar coisas atrás de coisas e eu fiquei maravilhado pela capacidade de a garota se interessar por quase tudo e por ter aquela curiosidade que começa a ser difícil de encontrar. Os miúdos hoje já sabem tudo, já viveram tudo e perderam, em grande parte, esta capacidade de se deslumbrarem pelo desconhecido, de quererem saber mais.

Hoje nos olhos daquela menina, vi sede de conhecer e perceber o mundo.
E isso deu-me alento para o resto do dia!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Conversas de uma noite de Verão

Começou ao fim da tarde. Pausou para jantar.
Terminou de madrugada. Quase manhã.
E foi tão simples, tão fácil e tão esclarecida e esclarecedora que dá para ficar feliz com a capacidade que a vida tem de nos surpreender quando menos esperamos.

Sem tabus, sem mal entendidos, sem preconceitos.
Aberta, franca, honesta, verdadeira. Algo cúmplice. Aqui e ali as dúvidas iam sendo clarificadas para não ficar nada mal-entendido. Por mim, teria acabado a adormecer nos teus braços, a sentir o cheirinho da tua pele e sentir o coração a bater um pouquinho (pequenino!) mais forte e mais depressa. Como duas crianças. Gargalhadas, brincadeiras. Fomos implacáveis, dançamos em imagens nas nossas cabeças, falámos de planos feitos e de sonhos desfeitos. De alegrias e tristezas, de coisas íntimas e pessoais e de tolices como se tu fosse uma e a mesma coisa. Marcámos pontos, deixei-te ganhar, abracei-te, adormeci encostado a ti e lambi-te o braço. Portei-me bem. Não temos nada a temer. Estas loucuras são saudáveis e não prejudicam ninguém.

E depois de tudo isto, hoje já ouve direito a segundo capítulo.
Devagar, devagarinho, um passinho de cada vez!
Adoro surpresas destas!

Confirma-se!

Tenho os olhos abotoados, o cérebro a funcionar ao "rallenti", os gestos lentos, os tempos de reacção aumentados, a cabeça feita em papa, olheiras até aos joelhos e uma "brôa" monumental.

Estou a ficar velho e fraquinho.

Já não aguento uma noitada!

Post Scriptum (para não haver conotações político-partidárias, que eu não quero confusões) - Isto depois da almoço vai ser bonito...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mimos

Depois de um dia de trabalho, chegar a casa. Meter a chave na porta e entrar. Sentir o silêncio pela casa e ver as partículas de pó iluminadas por um raio de sol que teima ainda em entrar pela porta-varanda da sala. Pousar as chaves e a pasta, subir as escadas, entrar no quarto, deixar a roupa em cima da cama e abrir o duche. Fechar os olhos e deixar a água morna levar o cansaço, o suor. Perder-me do mundo lá fora e sentir as gotas de água escorrer pela cabeça: cabelo, testa, pálpebras, nariz, lábios e queixo. Beber um gole ou dois. Deixar-me sentar no duche e ficar por momentos, debaixo da chuva. Lembrar-me de ti. Começo a esquecer o teu rosto, sabes? Lembro-me que querias sempre que tomasse banho contigo. Que te lavasse as costas. Não me pedias com palavras. Limitavas-te a encostar as tuas costas contra o meu peito. Lavava-te com cuidado, mas com força, até ficares com a pele bem vermelha, como gostavas.  Depois, enquanto me virava para pôr shampoo ou gel de banho, abraçavas-te a mim. E eu gostava quando sentia as tuas mãos a percorrer-me o peito. A tua cara encostada às minhas costas, os braços por baixo dos meus, as mãos nos ombros, num abraço tão cheio de paz.
Sentir a tua pele na minha sempre foi algo de mágico de  intenso.O momento em que os nossos dedos se tocaram pela primeira vez é algo que não consigo, nem quero esquecer...
O duche acabou e enquanto me seco e visto, olho para os ponteiros do relógio e faço contas rapidamente ao tempo que tenho para te ir encontrar. Ainda dá para te escrever um bilhete para o deixar escondido na tua mala ou num qualquer bolso ou talvez debaixo da almofada. Só quando escrevo o teu nome, sinto o sabor amargo da recordação: já cá não estás. Não te vejo mais. Não sei de ti desde há muito.
Sei apenas o que a memória teima em não esquecer: o cheiro do teu perfume, que não sei o nome, mas que me assalta os sentidos cada vez que me cruzo com alguma mulher que o usa; os teus olhos doces, castanhos e levemente trocistas quando querias meter-te comigo ou carregados de ternura quando te abandonavas no meu colo a receber mimos (e tantos que me davas, mesmo estando só encostada a mim!); o sorriso. Tímido, mas tão sorriso!

Desço à cozinha. Penso no que hei-de fazer para jantar.
Mimos. O que quero para jantar hoje são mimos.
Prato principal? Abraços, sem quaisquer dúvidas!

Alguém para jantar?

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NB - Não sendo 100% real, não é totalmente falso. Não sendo baseado em factos verídicos, será pelo menos baseado em factos imaginados e, aqui e além, desejados. O convite para jantar mantém-se. "Without any hope or agenda..."

Apresentação

Dia novo.
Lavadinho e a cheirar a fresco.
Gosto de sair de casa e sentir ar fresco na rua.
Uma das vantagens de estar no charco novo é que aqui o céu é mais azul e o sol brilha com mais intensidade. Parece tudo acabadinho de estrear, de sair da caixa.


Ao chegar à escola a algazarra dos garotos nas escadas de acesso relembra os anos passados. O ruído é igual em todo o lado. Os miúdos também. Há baixos, altos, magros, gordos, morenos, louros, bem-dispostos, mal-encarados, dos que gostam da escola, dos que gostam de estudar e de aprender e dos que nem por isso...

Colegas? Too soon to say.
Let's wait.

domingo, 11 de setembro de 2011

os meus erros

a) São frequentes. Mais frequentes do que eu gostaria. Já seria de esperar que errasse menos, que tivesse aprendido alguma coisa nestes anos. Ou não seria de esperar coisa nenhuma, porque o percurso que faço é uma incógnita e nem sempre se vê o caminho ou se perde a pista. Provavelmente paro para ver qualquer coisa que me chamou a atenção e esqueço-me de recomeçar a andar. Mas é tão bom poder fazer uma pausa e ficar só a contemplar o outro (ou a outra!) e a natureza;

b) Têm consequências. Umas boas outras nem tanto. Mas sinto-as quase todas na pele. Directa ou indirectamente. As consequências agradáveis são sempre bem vindas: fazem sentir bem. As desagradáveis são um bocadinho menos confortáveis. Porém, são aquelas que mais rapidamente nos fazem crescer e progredir no sentido de nos tornarmos mais e melhor.

c) Fazem-me pensar. Porque tenho esta tendência para ser reflexivo. E portanto, tento tirar algo de quase tudo o que me vai sucedendo. A única questão que se coloca é aquela relativa ao meio termo, ao ponto de equilíbrio: quanto é que se tem de pensar naquilo que nos vai sucedendo? Por vezes, dou por mim a pensar que o tempo que passo a pensar é tempo perdido para viver. E que seria melhor viver em vez de pensar como integrar o que me foi sucedendo na minha história pessoal e com isso aprender alguma coisa. Por outro lado, viver intensamente sem tempo para processar o que se viveu parece-me um pouco leviano. Um desperdício. Desperdício porque se perde um pouco (muito?) do que se viveu, na ânsia de tudo viver e tudo experimentar num ritmo desenfreado onde não há lugar para digerir o vivido. Confuso? Eu também...

d) Magoam pessoas. Às vezes demasiado. Às vezes por um tempo muito longo. Com consequências prolongadas e efeitos secundários. Invariavelmente só se magoam as pessoas que nos são próximas e que gostam de nós. Não é comum magoar pessoas para as quais somos indiferentes ou pouco importantes. Para esses, tanto dá. A única variável que aqui importa é a intencionalidade do erro. E magoar com intenção não é algo que faça com frequência. Sim, já o fiz. Mas sei bem que nesta vida se recebe o que se dá.

e) Deixam-me com medo de voltar a tentar, porque corro o risco de voltar a errar. A única forma de não errar é não tentar. Mas, não tentar não será o maior erro de todos?

f) Têm emenda. E por isso, sou capaz de admitir o erro, pedir desculpa pelo estrago e tentar reparar os danos. A menos que não me apeteça ou que não tenha dado conta do que fiz. Acontece. Não tenho esse nível tão elevado de consciência que me permita avaliar toda e qualquer acção que pratico.

g) Têm desculpa. Se os quiserem desculpar. Sou apenas humano. E dizer isto é dizer que tenho falhas e que me engano e que erro. Que caio e que me tento levantar. E que cair, não sendo agradável, é o primeiro passo para depois, à medida que me vou levantando, tomar precauções para não voltar a tombar. Retirar alguma lição, alguma aprendizagem do que aconteceu.

h) Fazem parte de mim. E são causa e consequência do que sou. Não tenho pretensão de ser perfeito (estou muito longe disso). Sei que vou continuar, aqui e ali, a errar. Lamento, mas é que eu sou perfeito com defeitos.

I'm damaged goods

De há uns tempos a esta parte que tenho noção disto. Que não estou 100% apto para consumo. Que há partes de mim que estão (não quero dizer mortas, porque acho o termo muito forte) dormentes. Os factos recentes demonstram isso. E também revelam que apesar de tudo, continuo a cometer os mesmos erros: atiro-me de cabeça, não cuido de me precaver e inevitavelmente fico com galos, da pancada que apanho.

Não será já tempo de começar a usar de cautela e prudência? Especialmente quando os factos ocorrem a partir de conhecimentos feitos no mundo virtual? Atrás de um nick e de um avatar dificilmente se descobre quem se esconde. E mesmo o que se escreve é (ou pode ser!) uma fonte de enganos, não apenas pela parte de quem escreve, mas também da parte de quem lê e interpreta.

Recentemente (há dias apenas) novo balde de água fria. Eu sei que tem estado calor, mas começa a ser demais. Além disso eu sou sapo de um charco que se quer minimamente quente e confortável. Na água fria, quem gosta de nadar?

Escrever dá-me algum prazer e proporciona algum alívio para o muito que trago cá dentro. Mas não quero que o mesmo acto me leve a novos enganos e me faça (re)nascer sensações e sentimentos que uma semana depois são arrancados e amassados como uma folha de rascunho, da qual já não necessitamos.

Senti-me defraudado. Sinto-me defraudado. Não sei até que ponto não seria melhor suspender tudo. E ficar em standby. Ao mesmo tempo, não me apetece nada deixar de aqui vir. Decisões e mais decisões...

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

e agora?

Quando se sente o coração em sobressalto, a dizer-nos para fazer o que sabemos não poder fazer, dizer, escrever, entra-se numa luta interna entre razão e emoção em que o vencedor está à partida declarado. Mas só está declarado o vencedor pela impossibilidade total de ser permitido dar largas à emoção. Porque se fosse possível, estava agora a ir para a porta da tua casa e só saía de lá depois de te ver, de chorar contigo, de te abraçar, de te dizer o quanto sinto a tua falta e quanto te quero. Perguntaram-me se o que sinto por ti não seria o resultado de uma carência prolongada, dirigida a ti apenas porque estavas lá, disponível e disposta a ouvir, a aceitar-me e a ser amada; se não estaria a projectar em ti, o resultado da ausência de me sentir querido e amado durante tanto tempo. Não sei responder. Não tenho uma resposta suficientemente convincente para mim mesmo, quanto mais para os outros. Sei que sinto a tua falta. Que tenho saudades tuas. Das nossas conversas intermináveis na net. Da partilha de música e de imagens. Dos comentários em ritmo acelerado. Das tolices. Dos sorrisos. Saudades de te ver. De te abraçar. Do toque das tuas mãos. Dos beijinhos à esquimó, que insistias em chamar à chinês. Das tolices que inventávamos só para fazer o outro rir. Não há outra coisa a dizer: tenho saudades tuas. Muitas. Gosto de imaginar, que apesar de tudo, és capaz de, na tranquilidade do teu quarto, parares para escutar o teu coração e sentires que estou lá a encher-te de mimos e carinhos.

...e os olhos marejados vão sustendo a custo as lágrimas que teimam em brotar das memórias de ti :'(

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Começa o trabalho

Hoje já foi dia de reunião de Departamento e de reunião da Biblioteca Escolar. Tudo ainda muito light. Para a semana quando tiver os conselhos de turma, a coisa começa a ser mais complicada.Entrar no ritmo não vai ser fácil, mas vai ser importante começar a ganhar embalo para mais um ano lectivo.

E eis que surge o primeiro comentário a um post. De M. Que tem um blog onde se lê apenas o título. :)
Para um blog que tem apenas quatro dias. :)
A verdade é que escrevo aqui para deitar cá p'ra fora o que cá vai dentro. E também para arranjar espaço cá dentro para não me sufocar com aquelas coisas, pensamentos e ideias que não podem, de todo, ser traduzidas em palavras ditas, muito menos escritas.
Mas sabe bem saber que há alguém que leu o que escrevi. Não porque precise de algum tipo de aprovação, mas porque é uma forma de me sentir um pouquinho menos só.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Quando tanto se dão "gostos" e "desgostos"

Gosto de música,de quase toda, dependendo do estado de espírito. Gosto de acordar com a sensação que, de facto, se descansou. Gosto de sorrisos. Gosto de abraços, de os dar e de receber. Gosto de cabelos compridos e de lábios bem desenhados. Gosto de mãos e de pés. Gosto de me sentir acolhido. Gosto de cozinhar. Gosto de Nestum mel. Gosto de comer. Não gosto de açorda nem de fígado. Gosto de grelhados e de batata frita. Gosto de doces. Não gosto de cerveja nem de vinho. Não gosto do cheiro do tabaco nem do cheiro do suor. Gosto de chá, dispenso o café embora goste do cheiro. Gosto de cheirar as coisas em geral e a comida em particular. Gosto de fotografar. Gosto de descanso. Não gosto de confusões, de sítios com muita gente, de muita agitação embora, por vezes, sinta necessidade de ver gente e confusão. Gosto de mimos e de carinhos. Gosto de sentir a tua cabeça contra o peito e de te afagar o cabelo enquanto te aninhas nos meus braços. Gosto do frio. Gosto de sentir os teus braços ao redor do meu tronco quando me abraças. Gosto de estar apaixonado.  Não gosto de estar sozinho sem nada para fazer. Gosto de sair e conhecer sítios novos onde ainda não tenha estado. Gosto de viajar. E de caminhar. E de ir esticando os meus limites para lá do ponto conhecido. Não gosto de trabalhar. Gosto do meu trabalho. Gosto de conhecer pessoas. Gosto experimentar coisas novas. Gosto do calor da lareira no inverno. Gosto de andar à chuva, chegar a casa encharcado, tomar um banho quente e vestir roupa lavada. Gosto do cheiro fresco da terra molhada após uma chuvada curta. Gosto de sentir areia entre os dedos dos pés, bem como relva e o pelinho dos tapetes/alcatifas. Gosto de casas velhas e tenho o sonho de reconstruir uma. Não gosto de coisas, sítios e decorações impessoais. Gosto do caos relativamente organizado em que vivo. Gosto de entrar em papelarias e sentir os cheiros e as texturas e de ver as cores de todos os lápis, canetas, marcadores, tubos de tinta... Gosto de ler. Não gosto de erros ortográficos e faço um esforço para não os cometer. Tento não ligar às aparências e tento ver para lá do óbvio. Gosto de água. De estar na água e de flutuar. Gosto de estar com amigos e de não ter de fazer esforço para fazer ou dizer coisas que não são minhas. Gosto de acampar e de entrar no saco-cama depois de um fogo de campo, pensar "foi bom!" e apagar. Gosto de gelados e de chocolate, também em mousse. Gosto de ter a casa organizada, mesmo que esteja aparentemente desarrumada. Não gosto de errar, mas sou capaz de pedir desculpa pelos meus erros. E tento emendá-los.
Gosto de conduzir. Depressa e devagar. Depende da pressa de chegar e do destino. Gosto de gatos. E de cães. Mas mais de gatos. Gosto de 'desligar' e de me perder sozinho por sítios que não conheço. Gosto de rir com outras pessoas. Gosto de cantar e de tocar viola. Não gosto de gente estúpida, nem de gente que se faz de estúpida para ganhar algum tipo de vantagem sobre os outros. Gosto do nascer-do-sol. Gosto de ver chover. Aprecio uma boa trovoada, com e sem chuva. Gosto de sentir o vento na cara e fechar os olhos. Gosto de gostar de pessoas. Gosto de chegar a casa e abrir as janelas de dia ou de noite. Gosto de fazer rir as outras pessoas. Gosto de olhar um céu estrelado, deitado num saco-cama ao relento. Gosto da Lua e da forma como aparece, desaparece e se esconde na sombra da Terra que o Sol projecta. Gosto da Natureza e de árvores. Gosto de me sentir minúsculo no meio de uma paisagem esmagadora que nos reduz ao nosso verdadeiro tamanho. Gosto de fazer coisas com as mãos.  Gosto de viver. Gosto de me sentir vivo!
Aqui o Sapo ainda mal se mexeu hoje. Tem estado prostrado por casa, enquanto lá fora estão mais de 32ºC, um sol radioso. A ouvir música, jogar spider solitaire, e mais música, blogs e lanzeira em geral.
Ontem a piscina foi fixe. Acho que vou até lá outra vez hoje. Estou mole. Talvez me faça espevitar um bocadinho, o ir até lá e dar umas braçadas. Ainda não falei com ninguém hoje. Não vi ninguém. Limitei-me a acordar (tarde!) fiz o almoço, almocei e arrumei a cozinha, vi algumas notícias (2 meses depois voltei a ver televisão. E não tenho saudades...) e vim para o quarto esticar-me na cama. E agora acho que vou mesmo até à piscina. Enquanto há.

Continuo a pensar em ti. Não consigo evitar. Sinto uma dor no no peito que me corrói por dentro. Vou ter de te desligar. Não é o que quero. Não é a minha vontade, mas não posso fazer outra coisa. Acredita que não posso. Já dei voltas e voltas à cabeça para tentar arranjar outra maneira de lidar com isto e contigo e não encontro. Não digo que não haja. Mas neste momento não posso. É MESMO proibido. Lamento tanto que assim seja... :'(

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A conhecer

Hoje foi dia de reunião de condomínio cá no charco.
Quer dizer, condomínio é força de expressão, uma vez que cá no cantinho do Sapo não há mais ninguém! Mas como o Sapo trabalha, (sim, que isto não está fácil nem para os batráquios!) num sítio com outras espécies de animais, hoje foi dia de os conhecer. Foi rápida a reunião. Meia dúzia de avisos à navegação e distribuição de serviço. Ainda não há horários, mas até 2.ª feira devem ficar prontos.

Amanhã tenho o dia livre para poder ir visitar outros cantos do charco.
Entretanto, jantar com uns colegas sapos e sapas. Antes ir dar um mergulho à piscina! Dizem que tem pouco cloro, portanto não vai prejudicar a minha delicada pele verde!

Até!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Charco novo

E é bem apessoado, o charco. Já que eu, não passo de um sapo verde e feio. Já deu para arrumar os tarecos, e ir ver os charcos vizinhos. E vi um bem bonito, com muita água. Tenho de lá voltar, tirar umas fotos e depois mostro aqui.
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Não me choca que as pessoas valorizem o aspecto físico. O que me deixa triste é o recusar liminarmente qualquer tipo de aproximação baseado nesse critério.
É que o tempo passa. E o que era assim, passa a ser assado. Quando se esvai a beleza e o físico, fica a companhia, a conversa, o companheirismo e a cabeça. Nessa altura, dá-se conta que se fez a escolha errada.
Porque, convenhamos, é difícil conversar com um palmo de cara acéfalo.

Fim de férias

Amanhã recomeça a vida num novo charco.
Longe deste. É uma oportunidade de fazer diferente, de fazer melhor num sítio novo, onde ninguém me conhece e onde eu não conheço ninguém. Recomeçar do zero. Nova etapa.

Espero conseguir ganhar o meu espaço neste novo charco e dar-me bem com os seus habitantes. É bom que me consiga manter sereno o suficiente para enterrar o passado e para viver o que se apresentar de novo com tranquilidade e esperança. Vou saber fazer diferente. Vou saber fazer melhor. Porque eu quero aprender a ser feliz.

domingo, 4 de setembro de 2011

Apenas mais um dia aqui no charco.

Nada de novo.
Nada de excitante.
Nada que me faça ter vontade de dar saltos de nenúfar em nenúfar.
Nem moscas há para pode esticar a língua.

apenas mais um dia aqui no charco...
E não é bom?